sábado, 12 de janeiro de 2013

Frio Silêncio


                            FRIO SILÊNCIO


logo após encerrada nossa discursão, fomos acometidos 
por intenso silêncio, um silêncio que precedia as palavras,
um silencio frio e afiado, como uma navalha, 
que naquele instante sentia que  cortara facilmente todas as expectativas 
de ficarmos juntos. Perguntava -me, seria o fim da nossa relação? 
Caminhávamos,  e mesmo com a ausência das palavras, 
dizíamos muitas coisas, a dúvida ali, presente gritava
 em meus ouvidos, continuaríamos juntos? 
Desconfiava que o  silêncio não estava ao meu favor, sentir que ele
 buscava um acordo com as palavras, estas sim, ficariam
encarregadas de repetir o que o silêncio havia dito outrora?
 mas antes, Caminhávamos.

 Os nossos passos seguiam em descompassos, ela tinha
 pressa, eu, ao contrario, insistia em diminuir o ritmo, 
queria ganhar tempo para quem sabe encontrar um 
meio de romper com o silêncio. 
A rua estava praticamente vazia, havia apenas uma senhora negra, 
magra e de baixa estatura aparentando ter uns  80 anos, com um 
lenço branco enrolado em volta da cabeça, manuseando um arcaico 
cachimbo em suas tremulas mãos, lembrava 
minha finada Vó. Estava sentada na parte mais 
alta da calçada de uma bela casa antiga, de onde me 
 fitou  com um olhar aconselhador como se dissesse  meu filho não 
à siga, espere um pouco meu jovem, há tempo para todas 
as coisas, e com os sentimentos não é diferente, deixe-a
caminhar sozinha  não à pressione, o tempo de cada um 
é singular. Estranhamente, seguir aquele conselho silencioso
dito com os olhos. De repente ela parou e pronunciou as 
palavras de despedida, disse; até breve! em vez do temido
 adeus, fiquei aliviado, recebi um rápido beijo na face e 
um longo abraço, e mais nada, além da promessa de nos 
encontrarmos novamente. Não era o fim.

 No retorno para casa, fiquei relembrando dos
 nossos momentos, e novamente fui atormentado 
por aquela dúvida cruel. Ainda seriamos companheiros? 
não conseguia  imaginar viver sem seu lindo sorriso negro,
o que seria do Egito sem o Rio Nilo? ela era minha fonte de vida.
As lembranças da noite anterior não saiam da minha 
cabeça, as conversas, as risadas e o vinho compartilhado. 
Cantávamos e fazíamos amor. A poesia do viver junto recitava
 em meu coração. Estávamos juntos movidos talvez por um
 dualismo consensual. Quando voltei a si, passei a reparar 
com mais detalhes nas ruas, nas casas, nas pessoas, vi que
 aquela simpática senhora que doara o conselho 
ainda estava no portão. Agradeci com um sorriso e um aceno
 de mão. A Senhora antes de entrar então me disse: - 
O problema de vocês jovens é que tratam tudo com 
intensidade. Não esqueça que na juventude temos o
 tempo a nosso favor. 

 Descobrimo-nos numa bela madrugada de sexta feira, onde
 o vinho e a solidão eram fies companheiros. Às vezes
 por falta de recursos o vinho era ausente, mas a solidão 
não, esta, estava sempre presente, fiel companheira. 

Decidir não me preocupar se ficaremos juntos, 
pronto! isso mesmo! chega! Para que tanta preocupação? 
se tiver que ser será. Será mesmo? o problema é que
não acredito em destino, e há muito tempo que entendo
que as coisas são construídas, resumindo não acredito 
em sorte ou acaso. Tenho a impressão que ao pensar 
que as coisas aconteçam independentes do  nosso  
querer e do que planejamos  não é lá algo correto, 
saber que não tenho autonomia sobre  meu próprio 
 destino, isto sim, é algo que realmente   me preocupa.

                                                                                                               
   

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