A Dança Dos Desamores
Por breve momentos tive a sobre meus braços, e juntos dançamos embalados por antigas canções românticas.
Ouvíamos músicas tristes que traziam em suas melodias a manifestação do sofrimento e da dor, dos que amam e não são correspondidos, daqueles que desesperadamente almejam a plena felicidade ao lado de quem realmente
desejam, ao invés dos pseudos sorrisos de alegrias, distribuídos aos falsos amores e paixões.
Dois corpos negros que bailavam e suavam intensamente, aliviando o calor no vinho gelado, que em cada gole dado do suave vinho distribuíam sorrisos secos de cristais, que facilmente se quebravam ao incidirem com o amor de outros amores.
Na velha vitrola ainda tocava antigos discos de Blues, ouvíamos os cantos daquelas vozes negras, roucas e melancólicas que suplicavam a morte ao ter que viver sem poder amar e ser amado. Dançavamos e desequilibrávamos como dois bêbados embriagados de tristeza e infelicidade, que em cada passo tímido e continuo realizado, se configurava a desinibida inlucidez dos desamores.
Seus desmensurados olhos assemelhavam-se a dois rios secos, que contraditoriamente inundavam o ambiente de dor e desamor. Mas fingíamos, oh sim, fingíamos! Representávamos bem, eramos dois principiantes atores em dois desajeitados dançarinos que harmonizados e instigados pelas canções tristes dançavam, interpretando alegria num cenário de tristeza.
Eu, por minha vez, sentia vontade de tê-la
eternamente em meus braços. Ah, se minha melodia tivesse o mesmo compasso e batida de seu coração, seriamos movidos pelo mesmo ritmo e viveríamos do mesmo tempo e na mesma sintonia, seriamos felizes e mudaríamos o ritmo da música. Mas, o fato era que meu amor não tocava em seu coração, sentia que sua canção buscava outro ritmo.
Meus pensamentos projetavam minha vida em sua vida. Mesmo sabendo que sua parceria era temporária, queria aproveitar o máximo, e por alguns momentos pode fazê-la esquecer dos amores não correspondidos ou marcados por ingratidão.
Se ela permitisse agregaria em seus sentimentos os meus sentimentos. Mas
uma pena mesmo são as canções românticas terminarem tão rapidamente e com elas findarem todas as oportunidades de conquistas. Mas são tantas as musicas e tantos os momentos, pena não serem muitos os desamores que nossos corações possam suportar.
Contudo, posso contemplar o destino, afinal foi minha parceira em canções românticas antigas. E ainda hoje continuo a dançar, só que desta
vez acompanhado de uma intensa e fiel nostalgia.
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